segunda-feira, 15 de setembro de 2008

E de repente o poder da informação se espalhou, ganhou novas mãos e milhares de produtores de conteúdo. E, como tudo precisa ser nomeado, essa socialização da informação ganhou um nome: web 2.0.

Só que a escolha do termo web 2.0 acabou confundindo os usuários.

Uma explicação sobre essa certa confusão, gerada pelo termo escolhido, foi feita por Frederick van Amstel – editor do blog Usabilidoido, professor convidado do Curso de Design da Unisul e do MBA da Igroup e formado em Comunicação Social pela UFPR. Segundo Frederick, a fato de existirem softwares em versão beta – de teste –, que migram para versões 2.0, acabou provocando a escolha da terminologia. A dificuldade de entender o que é a versão 2.0 é que a web nunca havia sido chamada de 1.0 antes. Mesmo para quem estava no meio, o entendimento não foi tão simples, imaginem para quem ainda continuava longe dessa nova forma de comunicação.

Para o jornalista e coordenador da pós-graduação Gestão e Marketing Digital, das Faculdades Integradas Hélio Alonso (FACHA), Bruno Rodrigues, ao “falar em ‘Web 2.0’, ‘Web 3.0’ e assim por diante, o pobre receptor da informação engasga. ‘Web o quê???”. E como ter 2.0, sendo que a 1.0 não existiu? Na verdade, não é necessário entender o termo para esclarecer o que aconteceu. O importante é o conceito do novo tipo de informação.

E a nova proposta inclui a liberdade de informação e a forma de expressar a opinião. O usuário passa a ser uma peça-chave para a divulgação da informação e produção do conteúdo. A web 2.0 e o jornalismo 2.0 deram voz ao usuário. O próprio jornalista se viu diante da possibilidade de publicar o que acha importante em uma reportagem, sem que seu texto fosse cortado ou editado, ou seja, sem ter um chefe ou uma grande empresa, monitorando seus passos.

Mas, tudo isso tem um preço, a responsabilidade da informação é inteiramente do usuário, não dá para dividir com ninguém.

A liberdade da comunicação

As Redes Sociais, Wikipidia, Youtube, Flickr e outros meios de publicação, completamente abertos, se encarregaram de difundir o conceito de liberdade de expressão. Além disso, quando o usuário se torna um produtor de conteúdo também pode estar utilizando uma nova forma de marketing pessoal, de alcance imediato.

O surgimento e difusão dos blogs, também, têm papel fundamental no processo de consolidação da web 2.0. Eles ganharam o gosto popular rapidamente. Segundo, trecho extraído do livro “Blogs: Revolucionando os meios de comunicação”, no início de 1999, o The page of only weblogs, de Jesse James Garret, identificava 23 blogs na web, mas ainda não existiam os sistemas de publicação como o blogger e o Wordpress. Já em 2000, o Blogómetro registrava 102.499 de blogs só na língua espanhola.

A experiência positiva dessa interatividade dos blogs acabou gerando a criação de áreas de comentários em diversos sites, principalmente os de notícias. O jornalismo cidadão ganhava espaço.

Outra conquista do usuário foi a possibilidade de julgar e rankear o que estava publicado na web. Os chamados sites de reputação dão direito ao internauta de participar da edição e julgando as notícias. Como exemplos temos o Digg (www.digg.com ), Slashdot (www.slashdot.com) e o Tecnocracia (www.tecnocracia.com.br).

Ter voz, chamar a atenção, sentindo como que fizesse parte da web também são papéis das Redes Sociais. Um ponto interessante dessa forma de comunicação é que cada uma se identifica melhor com a cultura de cada país. O Brasil é um dos países com maior penetração do Orkut, enquanto o My Space faz mais sucesso nos Estados Unidos. Nos dois exemplos de mapas sociais, abaixo, é possível ver o alcance das duas redes.

My Space


Orkut



Para o jornalista Raphael Perret, professor da pós-graduação Gestão e Marketing Digital, das Faculdades Integradas Hélio Alonso (FACHA), hoje o usuário: produz conteúdo; dá a sua opinião sobre produtos e serviços: participa das discussões mais importantes para a sociedade; reúne-se com as pessoas com interesses comuns e integra grupos e comunidades; e tem espaço para apresentar seus pontos de vista. O tópico é tão relevante nos debates da área que é tema de um dos módulos da pós-graduação, promovida pela FACHA.

Relatando uma experiência própria

A sensação de divulgar a informação, sentindo a utilidade de prestar serviço e entender o peso da responsabilidade da notícia (em tempo real) foi o que senti no surgimento do meu blog – Fim de Jogo -, em 2004. “Cansada de ver tantas brigas e confusões na saída dos jogos, resolvi parar de ser uma mera espectadora e fazer algo de útil. Foi assim que no dia 1 de fevereiro de 2004 surgiu o blog Fim de Jogo. Desde então, conto tudo o que vejo da janela do meu apartamento. Para fazer isso juntei algumas peças interessantes: sou jornalista, moradora do bairro há mais de 30 anos e ex-freqüentadora assídua do Maracanã”.

Acho que esse trecho do texto, que está publicado no blog, resume bastante o ponto de vista do conteúdo gerado pelo usuário. A primeira versão do blog foi criada dentro da Comunidade do site Comunique-se e depois, pela necessidade de novos recursos e facilidade de publicação, + recursos do Wordpress, passei a utilizar a ferramenta. A credibilidade das informações é obtida pelo tempo, seriedade e responsabilidade no que é postado.

O futuro muito perto

Segundo reportagem, publicada na revista Época, a nova proposta de Berners-Lee, um dos idealizadores da web, é criar uma internet mais inteligente. “A idéia já ganhou nome: web 3.0. Seria um terceiro passo na evolução da internet. Para entendê-lo, é preciso lembrar como a internet evoluiu. Em 1994, havia apenas 10 mil páginas na rede virtual. Naquele tempo, somente os responsáveis por uma página podiam colocar informação na web”. No texto, lembra que a época do sucesso dos grandes portais é a chamada web 1.0. Era o conteúdo unidirecional, talvez como se o público estivesse sendo preparado para uma nova fase, que não demoraria a chegar.

Como explica o jornalista Bruno Rodrigues, a interatividade na internet – chave da web 2.0 - é como um jogo de frescobol, onde o objetivo não é derrubar seu concorrente, mas manter a bola sempre no ar. Não estamos vivendo mais em uma estrada de mão única.